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O sonho do garoto

Ele era um garoto normal. Tinha amigos, sonhos e sorrisos estampados no rosto. Gostava de ajudar as pessoas, gostava de se sentir útil, gostava de fazer os outros sorrirem. Cresceu assim, apesar de ser um pouco retraído e de ter tido uma adolescência um tanto quanto solitária. Crescer não é uma tarefa muito fácil, mas ele sempre acreditou que daria conta do recado. Ele sempre sonhou com uma família dessas dos comerciais de margarina. Não ao pé da letra. Não. Ele não era assim tão ingênuo. Mas o sonho dele era poder construir uma família de pai, mãe, filhos/irmãos. O garoto da nossa história foi criado pela madrinha. Tinha contato com os pais sempre, os visitava todo fim de semana. Mas, com o tempo ele foi percebendo que a família dele era diferente das dos meninos da sua sala de aula. Ele morava com a madrinha porque a escola na cidade dela era melhor. Ia para a casa dos pais nas sextas à noite e voltava nas segundas de manhã. No fim de semana, eles saiam todos juntos. Nem...

A nossa jornalistinha

Ela gosta de escrever. Gosta de ler. E achou que poderia linkar esses dois prazeres à profissão. Não esteve errada. Mas também não esteve certa. Não cem por cento. Se inscreveu para o vestibular no ano de 2010. No fim dele. Se imaginou cursando Jornalismo, mas era um pouco caro, seu salário de balconista na doceria não daria. Era melhor pensar em um outro curso mais em conta. Depois de formada, trabalhando na área e ganhando uma graninha boa, poderia pensar no curso de Jornalismo. A avó ajudou: "Faz Pedagogia. É mais barato e você consegue emprego fácil." "Tá, pode ser...", talvez fosse uma boa mesmo. Seria preciso pegar um atalho, mesmo o coração dizendo que não. Fez a prova, teve uma boa colocação e no dia da matrícula correu para a Universidade querendo trocar o curso, querendo mudar o rumo da vida. Mas não podia, tinha que ter os pés no chão.   Entrou no auditório, preencheu as fichas e esperou ser chamada. Foi chamada e enquanto a mulher conferia su...

A História dos Dois

 Era uma vez, uma menina e um menino. Eles viviam em mundos diferentes, tinham gostos e manias estranhas e sem saber, completariam um o mundo do outro.    Ela "tava" na vibe de dançar a noite toda, conhecer todas as pessoas do planeta inteiro e conversar, conversar e conversar. Bebia para poder sentir a brisa e se sentir, de algum jeito, completa. Ah, e tinha os amigos mais loucos, porém sinceros e únicos, do mundo!  Estudava Jornalismo e tinha suas dps porque não levava tudo tão a sério. Apaixonada, vidrada e amante da Lua (para ela, não existia presente mais lindo que Deus poderia ter feito). E cantarolava MPB, completamente apaixonada por suas letras e melodias.  Viajava com os amigos e tinha os melhores e mais incríveis fins de semana. As segundas-feiras eram dias de nostalgia: o fim de semana era contado e recontado trilhões de vezes para e com as amigas. E assim, ela vivia o presente e planejava o futuro em meio a doses de alguma bebida forte, g...

Sangue verde e amarelo

 Acho engraçada a forma dura que o brasileiro tem de falar de si mesmo. Nada está bom, nada nunca foi bom e pelo jeito, continuará sendo. A culpa não é das estrelas, é do governo, é do PT, é da Dilma.  A Copa no Brasil tinha que ser encarada de forma positiva e com amor. Amor aos visitantes estrangeiros, amor aos adversários, amor à nossa nação! Mas o povo prefere "resolver" tudo como marginal, com palavrões, vaias e manifestações cheias de ignorância.  Política deve ser discutida e "resolvida" no dia de eleição, não? Tem muito dinheiro envolvido na Copa, mas a hora de lutar por alguma coisa não é agora. Eu, pelo menos, não acho.   Na verdade, não acho que eu tenha algum tipo de propriedade para falar sobre política. Entendo pouco, mas educação é educação em qualquer lugar, situação e língua.  Acredito que nós, brasileiros, devemos nos lembrar quem somos de verdade. Devemos acreditar no nosso taco, no nosso potencial e fazer uma festa verde ...

Impressão observada e traduzida em palavras

Nem todos os dias foram feitos para sorrir. Nem tão somente para chorar. Mas há situações que por mais que estejamos bem, se elas voltam, podem machucar... As pessoas não têm ideia do quanto uma palavra pode doer, pode cortar, pode sangrar por dias, meses, anos o íntimo de alguém. E falam sem pensar, agem sem pensar, olham sem pensar. Na maioria das vezes, alegam que agem com a "boa intenção". Mas e daí? Se machuca não pode ser assim tão bem intencionado.  E depois quem paga o pato é a criatura que luta contra si própria para não dar ouvidos, para não encher o pensamento com tanta crítica alheia, que tenta seguir sem mágoas, rancor e traumas. Aiai... Tão difícil! Impossível não sair lesionado de situações assim. Ou você tá muito gorda ou tá muito magra. Suas roupas não são legais, você não sabe se vestir (Quem disse?!). Não arruma o cabelo direito, faz a chapinha mal feita (esse podia ser o melhor dessa pessoa, não?). Me incomoda o fato das pessoas se preoc...

A dor de perder uma filha e a necessidade de voltar a viver

(Perfil literário feito para a aula do Grossi, último para a facul - USCS) Ela senta na poltrona vermelha da sala e olha para o porta-retrato que está exposto na estante, ao lado da televisão. Olha para mim e diz, quase suspirando, que não vai ser fácil sentar e relembrar a dor que sentiu na noite de 17 de maio de 2008. Já se passavam das duas horas da manhã, quando o telefone tocou na sala. Helena acordou assustada, olhou para o marido que também tinha acordado com o barulho e, juntos disseram: “É a Carol!” Paulo, levantou da cama e correu até o telefone. Do outro lado da linha, ouvia-se barulho de sirenes, pessoas falando e a voz de um moço que se identificou como o bombeiro Fonseca. “É da casa de Caroline Mendrado?” “Sim, o que aconteceu? É o pai dela!” “Senhor Paulo? Aqui é o bombeiro Fonseca. Infelizmente não tenho notícias boas. Preciso que o senhor e familiares compareçam ao Pronto Socorro da Vila Alpina.” “O que aconteceu com a minha filha? Cadê ela? Deixa eu...

Dia das Mães, o dia dela!

(Artigo feito para o estágio) Quando o dia dela chega é sempre aquela euforia em casa. Ela sabe que vai ganhar a casa cheia com os filhos, netos e noras/genros, sabe que a família se reunirá toda em volta da mesa no almoço e será aquela bagunça, como em todos os outros anos. Ela não pensa na bagunça que a casa fica no final do dia. Isso é coisa boba, pequena, sem importância perto da alegria sentida durante todo o domingo.  Quando o mês de abril já está no meio, ela começa a pensar com “os seus botões” como será o Dia das Mães do ano presente. Todos vêm, ela precisa inovar no cardápio do almoço e satisfazer cada um com seu gostinho de comida favorita. Ah, sem se esquecer das sobremesas! Maio chega e ela já liga para os filhos perguntando se todos virão. Todo ano é a mesma história: os filhos querem levar ela em algum restaurante ou um lugar para se divertir sem precisar esquentar a cabeça. Mas não adianta! Ela gosta mesmo é de encher os seus com mimos feitos pelas suas mã...